segunda-feira, 26 de maio de 2008

A saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente representa uma pesada perda de qualidade política do governo Lula. Por qualidade política entendo a competência do governante de manter a unidade dos contrários, contrários esses, inerentes a todo convívio social e democrático, que confere dinamismo e vida à sociedade. Marina Silva representava um pólo decisivo no governo e fundamental para uma política responsável pelo futuro da vida e da integridade do Planeta: o cuidado com o ambiente inteiro e com as condições ecológicas que garantem a vida em toda sua imensa diversidade.

No outro pólo estão outros, em maior número, que perseguem um projeto, que nos remete ao século XIX, de crescimento material acelerado e a todo custo, sem considerar a mutação das consciências ocorrida no Brasil e no mundo face principalmente às perigosas transformações negativas do estado da Terra, ocasionadas, em grande parte, por aquele projeto. Missão do governante é ser um homem de síntese, capaz de articular os pólos e ter a sabedoria suficiente para decisões estratégicas, mesmo difíceis, que garantam o futuro de nossa existência neste pequeno Planeta.

O atual presidente mostrou essa capacidade de síntese. Mas desta vez, parece-nos, se operou desastroso desequilíbrio. Com a ausência de Marina Silva, há o risco do pensamento único e da obsessão furiosa pelo crescimento fazendo crescer nossa dívida para com a natureza e as gerações futuras.


A ex-ministra Marina Silva mantinha tenaz coerência com a missão que se propôs de introduzir a partir de seu Ministério a transversalidade do cuidado ecológico em todas as instancias do poder, no esforço de conferir uma direção inovadora e à altura dos desafios contemporâneos ao desenvolvimento sócio-ambiental sustentável. Foi vista como obstáculo ao crescimento e como empecilho à modernização. E efetivamente era e precisava se-lo.

Não é possível com tudo o que sabemos da história e da experiência recente continuar com o tipo de crescimento retrógrado que visa a acumulação à custa da devastação da natureza e do aprofundamento das desigualdades sociais. Há que se estigmatizar essa modernização conservadora e socialmente criadora de tantas vitimas no campo e nas cidades. As pressões contra a ministra vindas do interior do próprio governo e do exterior, de grupos poderosos ligados à pecuária e ao agronegócio solaparam a sustentação política e a viabilidade de seu trabalho, especialmente, com referência à preservação da floresta amazônica. Retirou-se do ministério pela porta da frente, com elevado espírito público e ético, protestando lealdade e fidelidade ao presidente.


Marina Silva era uma das reservas éticas do governo, uma referência de credibilidade para o Brasil e para o mundo. Mas ética era pouco para ela. Movia-a uma inspiração espiritual, de serviço à vida e de proteção a todo o Criado. Ela me faz lembrar a frase de um dos grandes pensadores da escola de Frankfurt que foi um rigoroso marxista e materialista: Max Horkheimer. No final de sua vida escreveu um instigante livro:"Saudade do totalmente Outro". Ai, como marxista e não como cristão, diz:"uma política, sem teologia, é puro negocio". E explicava:"teologia significa aqui, a consciência de que o mundo não é a verdade absoluta, que não é o fim; teologia é a esperança de que tudo não se acabe na injustiça que tanto marca o mundo, que a injustiça não detenha a última palavra". Estimo que Marina Silva mostrou em sua vida e prática a verdade desta sentença. Por isso todos lhe somos agradecidos e devedores.

* Leonardo Boff é teólogo, escritor, professor emérito de ética da UERJ e membro da Comissão da Carta da Terra.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

GOVERNO FEDERAL FOMENTA RETORNO DO CORONELISMO NO SUL DA BAHIA

"É profissão de fé resolver o problema do cacau", essas foram as palavras do Presidente ao lançar o PAC do cacau, no qual deverá investir cerca de R$ 2,54 bilhões de reais em uma monocultura que trouxe para o sul da Bahia durante décadas o império de coronéis que comandavam as regiões com pulso forte.

É intrigante como um governo que busca metas ousadas de desenvolvimento, fomenta a exploração de monoculturas que apenas beneficiam um pequeno grupo econômico face a uma grande maioria.

A produção do cacau trouxe pouco desenvolvimento sustrentável para a o sul da Bahia, o que tinhamos na verdade era o enriquecimento exacerbado dos produtores de cacau contrastanto com uma população pobre e explorada. O dinheiro do cacau serviu para ostentar impérios coronelísticos onde o desmando, abusos e injustiças eram a sua marca principal.

Com o advento da vassoura de bruxa, que dizimou a lavoura cacaueira, a região sul da Bahia empobreceu e esmureceu não conseguindo até hoje caminhar pelas próprias pernas. Esse fato se deve não a que o desenvolvimento econômico dependesse do cacau, mas sim que a região não sabe desenvolver práticas econômicas sustentáveis, semelhante ao explorado que não sabe seguir em frente e depende sempre do explorador.

O atual governo chegou ao poder combatendo uma classe econômica agrária exploradora, coronéis perversos, mas acabou se tornando os seus principais aliados e suas políticas agrárias só fomentam a afronta aos que idealizaram um país melhor, gente como a ex-ministra Marina Silva que sonhou uma menor eploração ambiental, segurança alimentar garantida aos menos desfavorecidos, mas que foi vencida pelos interesses dos que exploram economicamente o capital.

Mas ainda acredito esperançoso que a minha amada região sul da Bahia vai se reerguer enquanto crescimento econômico e geração de empregos, mas isso ocorrerá quando de fato nos livrarmos dos fantasmas do passado e acreditarmos que o potencial de mudança esta em nossa capacidade criativa de buscar novos horizontes e não dessa decrépita dependência de uma monocultura que só beneficia e fomenta um império coronelístico absurdo e imoral.

gabriel


terça-feira, 13 de maio de 2008

UM GOVERNO CAINDO AOS PEDAÇOS

O que começou como um sonho de governo no primeiro mandato presidencial do Lula, começa a se desmontar numa velocidade acelerada como uma pedra de gelo exposta ao sol.
Primeiro foi o então Ministro da Educação Cristovão Buarque, que tinha projetos inovadores com uma proposta de política pública revolucionária na área da Educação, quando emfim parecia que a coisa ia caminhar o até então Ministro da Casa Civil na época, promoveu a sua demissão que ocorreu por telefone, sinalizando a falta de ética e respeito do governo para com as pessoas sérias deste país.
Agora temos a saída da Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, ministério este que era respeitado internacionalmente, por ter uma política ambiental séria colocando os principios de sustentabilidade acima dos interesses econômicos, o que contrariava e muito aqueles cujo único interesse é lucar e que ganham voz por meio da própria estrutura do governo que fomenta este irresponsável PAC, construido e gerido sem nunhum planejamento eficaz e com resultados deprimentes.
É lamentável esse ocorrido, mas já não restava mais nenhuma saída para uma pessoa séria e comprometida como a Marina, sua atitude demonstra nobreza e responsabilidade com os seus ideiais que não se corromperam com o poder nem pelos interesses econômicos daqueles que tem como aliado o atual governo para engordar as suas ricas contas bancárias.
Esse é o retrato de nosso governo que tem a incrivel capacidade de expurgar quem tem compromisso com o desenvolvimento e favorecer corruptos e classes econômicas exploradoras de capital cujos nomes constatemente aparecem em CPI's e escândalos nacionais.

gabriel

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Quem tem medo do Lobão mau?

Ano novo, vida nova! Mas o que não muda é a velha maneira de governar o Brasil, colocando incompetentes apadrinhados políticos em cargos de natureza técnica, o lula não aprende mesmo, ou na verdade não quer aprender.

Em meio a uma possível crise energética, o presidente nomeia como Ministro das Minas de Energia, o senador Edison Lobão (PMDB), um completo e total desconhecedor do setor energético brasileiro, é muito lamentável ver o nosso país ser conduzido de uma maneira completamente irresponsável, mas afinal quem os colocou no poder?


Eis logo abaixo um pouco da trajetória do nosso mais novo Ministro:

Em sua carreira política, Lobão foi acusado de participar de dois casos de corrupção, mas foi inocentado em ambos. Em 1993, foi citado pelo economista e ex-assessor do Senado José Carlos Alves dos Santos como um dos governadores que haviam participado do esquema de corrupção montado na Comissão Mista do Orçamento da União para a distribuição de verbas federais. Chamado a depor na CPI, foi inocentado. No ano seguinte, quando deixou o governo do Maranhão para se candidatar a uma vaga no Senado, foi acusado pelo procurador regional eleitoral do estado de ter usado a gráfica do Senado para a impressão de cadernos escolares que seriam distribuidos a eleitores. O procurador pediu a cassação do registro de Lobão ao TRE, mas não foi atendido.

Espero que não estejamos a acompanhar mais um desastre do setor energético brasileiro, por conta de termos alguém não habilitado a gerencias este setor.



QUEM TEM MEDO DO LOBÃO MAU?
gabriel

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A FARRA DOS CARGOS PÚBLICOS

Com o impasse na votação da CPMF que divide o congresso nacional na ferrenha briga entre a oposição e governo, a velha prática de compra de votos por meio de verbas e cargos começou, está aberta a temporada da farra dos cargos públicos.
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É tanta demissão e substituição que o governo até se perde nessa confusão, e isso tem provocado muita irritação na própria base aliada, porque muitos dos apadrinhados políticos detentores de cargos estatatais, estão sendo demitidos e substituídos por apadrinhados de maiores pesos.
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Considero um tanto quanto contraditório o governo querer prorrogar um imposto para arrecadar divisas e poder executar os projetos de governo. Ao mesmo tempo esse mesmo governo aparelha o Estado com umm monte de gente incompetente que além de cometer toda sorte de ingerências, se envolvem em um monte de corrupção e desvios de verbas, tendo como consequencia a não realização dos projetos do governo que somente tiveram verba para serem feitos pela colocação dessas pessoas que são entraves à gestão da máquina pública.
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Eu poderia resumir este fato em uma só frase: UM TIRO NO PRÓPRIO PÉ!
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Repito mais uma vez, enquanto não houver gestão pública responsável e eficiente e o critério político substituir competência técnica, continuaremos com esa situação política lamentável e vergonhosa.
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Mas nós podemos mudar isso nas próximas eleições.
gabriel

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Não a CPMF

Criada provisoriamente com o intuito de fornecer aporte financeiro ao sistema de saúde brasileiro, a CPMF ganhou forças e virou a alternativa do governo de arrecadação de receitas pra manter o bolso dos corruptos cheios de dinheiro.

O nosso sistema de saúde está cada vez mais decadente, sem verbas, com imensas filas no atendimento, profissionais mal remunerados, falta tudo, medicamentos, leitos, equipamentos, profissionais e sem vergonha na cara dos maus gestores que não aplicam o dinheiro desse perverso imposto onde deveriam, e ainda querem extendê-lo até 2011.
Temos meus caros um país cada vez mais doente, a ética está enferma, a moral e os bons costumes em coma, a honestidade silenciosa, o senso de justiça em estado terminal e a nossa esperança ferida e mal tratada.
gabriel


Manifestação na Esplanada contra a corrupção

Recebi em minha caixa postal o email abaixo mostrado, e por concordar com o seu conteúdo estou divulgando, eu estarei lá neste ato contra a corrupção e convoco a todos aqueles que se sintam indignados com essa nossa realidade política a estarem lá.

gabriel
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O nosso país está indignado com as atitudes que vem sendo tomadas pelomeio político institucional brasileiro nos últimos anos, demonstrandouma falta de compromisso com a ética, e que veio culminar com um processo de cassação confuso e de conclusão questionável envolvendo oSr. Renan Calheiros e os demais senadores.
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Nós, cristãos e evangélicos, somos pela paz e pela harmonia, mas também pela justiça e pela verdade. Não podemos concordar com tais procedimentos tomados por essa importante casa da democraciabrasileira e que deve ser regida por autênticos representantes dopovo.
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Por isso, vimos através desta convocá-lo a participar de umamanifestação na próxima quarta-feira, dia 19 de setembro, das 12h às14h, em frente ao Congresso Nacional. Será uma manifestação silenciosa e pacífica: todos vestidos de luto com faixas e cartazes contendo versículos bíblicos apropriados para o momento. Não iremos cantar, nem dançar, nem sorrir, nem nos alegrar.Vamos nos vestir de "pano de saco e cinza" (no nosso caso com vestes pretas, sinal de luto) e nos humilharmos diante de Deus, defronte o Congresso Nacional, clamando silenciosamente por nosso país. Nãoteremos carros de som, nem folhetos para serem distribuídos (nãoqueremos sujar o local, nem sermos anti-ecológicos), nem teremos apresentações de cantores gospel, cânticos comunitários, muito menos frases em coro ensaiadas. Não será um momento para discursos efusivos,nem pregações acaloradas e arrebatadoras. Não! Chegaremos calados,mudos, empunhando versículos da Palavra de Deus, oraremosindividualmente ou em pequenos grupos, e ao final do período determinado, voltaremos para os nossos afazeres. Silenciosos eincomodados.
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Convidamos vocês a participarem conosco desse momento de quebrantamento, onde prevalece a injustiça, reina a impunidade, evidencia o destemor a Deus e subrepuja o pecado, atitudes estasencontradas não só no Senado Federal, mas em todos os âmbitos de nossa nação.
Que o Senhor tenha misericórdia do nosso Brasil!
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Em Cristo,
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André Tripode - líder de mocidade da Igreja Presbiteriana da AlvoradaCarlinhos Veiga - pastor da Igreja Presbiteriana do Lago Norte Carlos Antônio Cruz - pastor da Igreja Presbiteriana do Lago Norte Cláudia Barbosa de Souza Feitoza - ministra de música da IgrejaPresbiteriana do Lago NorteClaudio da Chaga Soares - pastor da Igreja Presbiteriana Unida de Brasília Edson e Márcia Suzuki - missionários da JOCUM e presidentes da ONG Atini Junior Sipauba - pastor da Igreja Presbiteriana da AlvoradaMarco Antônio Baumgratz - pastor da Igreja Presbiteriana Nacional Markus Richard Werner - secretário executivo regional da MPC - regiãoCentro-Oeste e pastor da Igreja Nova Vida da Asa NorteMauro - secretário executivo da Mocidade Para Cristo do Brasil, filial Brasília Osvaldo Reis - pastor da Congregação Presbiteriana do VarjãoPedro Moraes Nicola - diácono da Igreja Presbiteriana do Lago Norte Reginaldo Carvalho - pastor da Igreja Presbiteriana de BrasíliaRicardo Barbosa - pastor da Igreja Presbiteriana do PlanaltoSílvio Bizzo - licenciado da Igreja Presbiteriana do Lago Norte